“Oração é quando você fala com Deus; meditação é quando você escuta Deus.”
Certa vez uma pessoa do meu convívio rejeitou um convite para praticar yoga alegando que sua religião não permitia. Após tentar convencê-la do contrário, esta pessoa afirmou que o trecho de uma prática que assistiu em algum momento da vida, se tratava de uma dança que claramente parecia ligada a uma religião.
Para entendermos melhor o conceito de religião, é importante verificarmos sua definição: Crença na existência de um poder ou princípio superior, sobrenatural, do qual depende o destino do ser humano e ao qual se deve respeito e obediência.
A definição de religião também está associada ao termo religare que vem do latim e significa: ligar novamente no sentido de retornar às origens, ou seja, ao criador. Prestar culto a Deus, ou a um poder superior de certo modo, doutrina, princípios. Dicionário Informal
Independentemente das definições dos dicionários, temos nosso conceito particular do que é religião.
Alguns compreendem como um sistema de dogmas que se cumpridos corretamente resultam em uma eternidade de perfeição e recompensas; outros, compreendem a religião como uma maneira de reconectar o homem a Deus.
O ser humano é conduzido por crenças e valores, não me refiro aqui às crenças ligadas a religião, e sim a nossa forma de enxergar o mundo e tudo que nele há.
São as crenças que determinam nossas ações, decisões e comportamentos, e nos levam à construção de hábitos que definem nosso futuro.
Existem crenças fortalecedoras (positivas) e crenças limitantes (negativas), normalmente as crenças agem de maneira inconsciente e para acessá-las precisamos de autoanálise ou psicoterapia, não é um processo fácil, visto que são formadas a partir de experiências passadas – algumas vêm da infância – e são instaladas como ferramentas para sobrevivência neste mundo.
É como se para cada situação ou decisão que surgisse em nossa vida, nosso cérebro fizesse uma busca em nossa mente por alguma experiência parecida e, a partir desta, definisse se é seguro ou não nos submeter a tal situação.
Uma crença pode ser prejudicial mas não necessariamente todas são. Lembre-se que esse é um recurso usado pelo cérebro para nos manter vivos e livres de sofrimento.
Por exemplo: Não quero levar meu filho ao parquinho porque é perigoso. Eu já caí do balanço quando criança, me machuquei e não quero o mesmo para meu filho.
Mediante nossas experiências anteriores julgamos as novas experiências.
Muitas crenças, senão a maioria delas, são tão intrínsecas e são tão antigas que só com ajuda de um profissional conseguimos identificá-las.
Para trazer equilíbrio entre mente, corpo e espírito o yoga utiliza de algumas ferramentas – como os mantras – que em sua forma de repetição ajudam o ser humano a substituir crenças limitantes, por crenças fortalecedoras.
Do mesmo modo o Sankalpa, que significa construção mental, estimula o praticante a mentalizar afirmações diárias, trazendo o exercício de construção de crenças positivas. O nosso cérebro aprende por repetição, e esse exercício, nos traz domínio sobre um assunto.
Assim como os mantras, as histórias de superação de deuses hindus, trazem novos aprendizados, não para que você venere e adore tais deuses, mas para que a partir das histórias de superação, você possa identificar maus hábitos e os substitua por bons hábitos.
Os deuses podem ser vistos como arquétipos, não como seres superiores com domínio sobre o mundo.
Jesus – de modo parecido – usava as parábolas para ilustração de seus ensinamentos.
O yoga surgiu na Índia, logo as histórias de superação estão ligadas a Ganesha, Shiva, Krishna etc. que são os personagens mais conhecidos dentro da cultura hindu, visto que a Índia não é um país predominantemente cristão.
Os asanas, mais conhecidos dentro da nossa cultura, quando repetidos com frequência trazem para o corpo e para a mente flexibilidade e força.
Agora você pode estar se perguntando: Tudo bem, entendi o conceito de religião e a influência das crenças limitantes, entendi que o yoga tem como objetivo ajudar o indivíduo a se autoconhecer diminuindo assim o sofrimento. Mas quando você relaciona yoga com espiritualidade, está se referindo a religião?
Para termos um melhor entendimento, é preciso que entendamos o que é espírito, válido ressaltar que existem vários usos da palavra, mas o que trago abaixo é o seu significado original.
Espírito: “A palavra espírito tem sua raiz etimológica do Latim “”spiritus“”, significando “”respiração”” ou “”sopro””, mas também pode estar se referindo a “”coragem””, “”vigor”” e finalmente, fazer referência a sua raiz no idioma PIE *(s)peis- (“soprar”).”
Para facilitar a compreensão, imagine o corpo, a mente e o espírito funcionando em conjunto como o seu celular.
O aparelho em si, a parte física que você pode tocar seria equivalente ao seu corpo.
Os aplicativos (Whatsapp, instagram, facebook etc) seriam equivalentes à sua mente.
A bateria do seu celular, seria o sopro de vida, isto é, o espírito – o que mantém o seu corpo vivo.
O ideal é que o celular – depois que sai de uma loja – pertença a alguém, servindo a esse alguém e atendendo suas expectativas.
Numa comparação simples um ser humano pode servir a uma religião, atendendo suas expectativas, dogmas e diretrizes.
O corpo do celular sem os aplicativos não tem “personalidade” e ambos não funcionam sem a bateria. Assim como o ser humano.
Já o corpo sem uma mente, não tem personalidade. É apenas matéria. E sem o espírito, o corpo está descarregado. Sem sopro de vida e sem vigor.
O yoga se propõe a recarregar as baterias. Mas não define o operador do celular. Ou seja, o yoga se propõe a equilibrar o espírito mas não define a sua religião; a sua fé ou ausência dela.
Um indivíduo equilibrado (corpo, mente e espírito funcionando em harmonia) consegue ter conexão com ele mesmo, com o outro e até mesmo com um ser superior.
Para o yoga o equilíbrio espiritual é uma experiência individual. Por este motivo não se propõe a ser uma prática religiosa. Mas isso não impede que a pessoa tenha ou não uma religião.
As práticas do yoga, nada mais são do que maneiras de levar o ser humano a um estado meditativo, colhendo diversos benefícios como: Diminuição do estresse; melhora da imunidade; redução dos sintomas da depressão; melhora da qualidade do sono; promoção de bem estar psicológico e emoções positivas.
A prática regular de yoga leva à meditação e ao samadhi, que é um profundo estado de paz e quietude mental o qual pode ser alcançado por praticantes assíduos, colhendo assim os benefícios citados e outros tantos, independentemente de cor, raça ou religião.
E você?
Tem alguma religião?
Deixe agora nos comentários o porquê de você fazer parte dessa religião.
Caso você não tenha uma religião, fique à vontade para compartilhar a sua visão sobre o assunto.
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Pesquisa bibliográfica:
http://www.colegioexatus.com.br/blog/carreira/suas-crencas-te-limitam-ou-te-fortalecem.html
http://www.gobetago.com.br/2015/08/19/nosso-cerebro-e-viciado-em-repeticao-repeticao-repeticao/